A arte possui o poder de eternizar aquilo que o tempo insiste em transformar. Na fotografia, esse poder ganha forma por meio da luz, da sensibilidade e do olhar de quem escolhe registrar histórias, paisagens e emoções. No Amapá, onde a natureza exuberante e a riqueza cultural inspiram artistas de diversas linguagens, Batista Duarte vem se destacando como um fotógrafo que transforma imagens em histórias visuais carregadas de significado.
Da edição de vídeos aos grandes projetos fotográficos voltados à valorização da cultura amapaense, Batista transformou a paixão pela imagem em uma missão: eternizar momentos, preservar histórias e revelar a beleza que habita os detalhes do cotidiano amazônico. Nesta entrevista, o fotógrafo compartilha suas inspirações, desafios, conquistas e reflexões sobre a arte de fotografar, mostrando como cada clique pode se transformar em um importante registro da memória coletiva de um povo.

Portal: Como começou sua trajetória na fotografia e o que o inspirou a seguir essa profissão?
Batista: Minha história no meio da fotografia começou no audio visual, como editor de
vídeo, quando era me passado o material para ser editado, eu sempre achava que podia ser
melhorado aquela produção entregada. Então praticamente começou pela busca de
conhecimento e a fotografia tem esse poder de visão mais ampliada porque o video na
verdade é o empilhamendo de fotografias que faz o movimento visual. Então eu tive que
buscar conhecimento para compreender e melhorar mais o que eu fazia como editor. Eu
trabalhava na “midia da igreja” que naquele tempo não tinha a amplitude que hoje tem.
Comecei a produzir alguns videos, comecei também a fotografar e não parei mais. Sempre
buscando novos desafios.
Portal: De que forma a cultura, as paisagens e o povo do Amapá influenciam o seu trabalho
fotográfico?
Batista: Na busca de novos conhecimento e desafios, descobri que retratar as coisas do
nosso estado, registrar a vivência do cotidiano do nosso povo, dos nossos pontos turístivo, a
nossa amazônia exuberante, foi exatamente o que me trouxe ao meu atual olhar fotográfico.
Além dos meus registros sociais como profissional, descobri as paisagens e cultura riquíssimo
do nosso povo, toda essa nossa miscigenação cultural e de etnia me fez querer retrar nos meus
clicks, sob meu olhar toda uma trajetória contruída ao longo dos anos.
A cultura, as paisagens e o povo do Amapá são a essência do meu trabalho fotográfico. Nossa
região possui uma riqueza cultural e natural extraordinária, que serve como fonte constante
de inspiração. Busco retratar não apenas a beleza dos cenários amazônicos, mas também as
histórias, tradições, expressões e a identidade das pessoas que fazem parte desse território.
Por meio da fotografia, procuro valorizar a memória, a cultura e o cotidiano do povo
amapaense, registrando momentos que muitas vezes passam despercebidos, mas que
carregam grande significado. Meu objetivo é transformar essas vivências em imagens que
fortaleçam o sentimento de pertencimento e contribuam para a preservação da nossa história
e cultura.




Portal: Qual foi a fotografia ou projeto mais marcante da sua carreira e por quê?
Batista: O nosso ponto mais marcante sem duvida nenhuma do Amapá é a que está em
nossa bandeira do Amapá, a Fotaleza São José de Macapá. Ela nos desafia a cada ter ter um
ponte de vista diferente, uma inspiração diferente. Diante dessa evidência, meu projeto
“Exposição Fotográfica Olhares do Amapá: Memória, cultura e Identidade em Fotografias”
alcançou a experiência de anos na fotografia. Esse trabalho teve um significado especial
porque me permitiu retratar e valorizar a riqueza cultural, histórica e humana do nosso estado,
transformando imagens em instrumentos de preservação da memória coletiva. Além da
relevância artística, o projeto representou um importante reconhecimento do meu trabalho
por meio do incentivo cultural, ampliando a visibilidade das fotografias e fortalecendo minha
atuação como fotógrafo expositor. Ver o público se identificar com as imagens e reconhecer
nelas parte de sua própria história foi uma experiência extremamente gratificante e
inspiradora para a continuidade da minha trajetória.


Portal: Quais são os maiores desafios e oportunidades para os fotógrafos que atuam na Amazônia e
no Amapá?
Batista: Acredito na atuação no desenvolvimento das artes visuais como um todo. E só
iremos desenvolver nossa arte, de uma maneira mais efetiva, atraves das leis de incentivos dos
governos. Então, já temos o olhar artíticos necessários para registros culturais do estado do
Amapá, precisamos cada vez mais acessar os recursos disponiveis pelos editais de fomento.
Acredito que o através dessa oportunidade, podemos levar o acesso da realidade de nossa
região atraves da fotografia para todos os cantos do Amapá.
Atuar como fotógrafo na Amazônia e, especialmente, no Amapá, é ao mesmo tempo um
grande desafio e uma oportunidade única. Entre os principais desafios estão a necessidade de
maior valorização do trabalho artístico, o acesso a recursos para produção e divulgação dos
projetos, além das dificuldades logísticas para registrar localidades mais distantes da região
amazônica. Por outro lado, as oportunidades são imensas. O Amapá possui uma riqueza
natural, cultural e humana extraordinária, com paisagens únicas, tradições centenárias e
histórias que merecem ser registradas e compartilhadas com o mundo. A fotografia tem um
papel fundamental na valorização da identidade amazônica, permitindo que nossa cultura,
nosso povo e nosso patrimônio sejam conhecidos e reconhecidos além das fronteiras do
estado. Acredito que os fotógrafos da região têm a missão e o privilégio de transformar a
diversidade amazônica em memória visual, contribuindo para a preservação da cultura e para
a construção de um olhar mais autêntico sobre a Amazônia.
Portal: Que conselho você daria para os jovens que desejam iniciar uma carreira na fotografia?
Bastista: Meu principal conselho é que nunca deixem de aprender e de acreditar no próprio
potencial. A fotografia vai muito além do domínio da câmera; ela exige sensibilidade,
observação, criatividade e dedicação constante. É importante estudar técnicas, conhecer o
trabalho de outros fotógrafos, praticar diariamente e desenvolver um olhar próprio sobre o
mundo. Também recomendo que valorizem suas origens e contem histórias que façam
sentido para sua realidade. Muitas vezes, as melhores imagens estão mais perto do que
imaginamos. Persistência, disciplina e paixão pela arte são fundamentais para superar os
desafios e construir uma trajetória sólida. Acima de tudo, fotografem com propósito. Uma
boa fotografia não registra apenas uma cena; ela transmite emoções, preserva memórias e
pode transformar a forma como as pessoas enxergam o mundo.



Portal: O que você espera que as pessoas sintam ou reflitam ao observar suas fotografias?
Batista: Espero que minhas fotografias despertem emoções, memórias e reflexões sobre a
riqueza cultural, humana e natural que nos cerca. Mais do que registrar imagens, procuro contar
histórias e revelar detalhes que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano. Desejo que
cada fotografia provoque um sentimento de conexão com as pessoas, os lugares e as tradições
retratadas, valorizando a identidade e a memória do povo amapaense. Se, ao observar uma de
minhas imagens, alguém se emocionar, reconhecer parte de sua história ou passar a enxergar
sua realidade com um novo olhar, então considero que a fotografia cumpriu o seu propósito.
Acredito que a arte tem o poder de sensibilizar, inspirar e preservar memórias, e é exatamente
isso que busco transmitir por meio do meu trabalho.

Portal: Ao longo desta conversa, Batista Duarte revela que a fotografia vai muito além da técnica ou do simples registro visual. Em suas lentes, encontram-se histórias, afetos, memórias e a riqueza cultural que molda a identidade do povo amapaense. Seu trabalho demonstra que fotografar é, sobretudo, um exercício de sensibilidade e compromisso com a preservação daquilo que faz parte de nossa história.
Com um olhar cada vez mais maduro e reconhecido, Batista consolida-se como um dos nomes em ascensão da fotografia no Amapá, utilizando a arte como instrumento de valorização cultural e transformação social. Suas imagens convidam o público a enxergar o território amazônico sob novas perspectivas, reforçando a importância de preservar tradições, reconhecer identidades e celebrar a beleza presente em cada fragmento da vida cotidiana. Obrigada ao Artista Batista Duarte.
Batista Duarte carrega a arte até no nome: em “Duarte”, a palavra “arte” parece anunciar a sensibilidade e o talento que ele imprime em cada fotografia.
Por Luzia Mota
Portal Fala Tucuju (96) 99161-2628
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