Muito além dos grandes shows: a Expofeira 2026 que fez o Amapá cantar, filmar, pintar e se emocionar

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Durante nove dias, a maior feira do estado reuniu cinema, videoarte, música amapaense, marabaixo, artes visuais, circo, grandes shows e momentos que ficarão guardados na memória.

A Expofeira 2026 terminou, mas algumas imagens continuam vivas na memória: uma criança reconhecendo sua música favorita, Tô em Macapá o Miniteatro Caboco, artistas pintando diante do público, fotografias revelando a força da Amazônia, o som das caixas de marabaixo e as gargalhadas das crianças diante de um lindo espetáculo circense.

Realizada de 8 a 16 de agosto, no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, a Expofeira 2026 do Amapá promoveu nove dias de cultura, negócios, agricultura, gastronomia, ciência, inovação, turismo e entretenimento. Com o tema “Do Amapá para o Mundo”, o evento se transformou em uma grande vitrine das potencialidades e da diversidade cultural do estado.

Somente nos primeiros cinco dias, mais de 1 milhão de pessoas passaram pelo Parque da Fazendinha. Os números demonstram a dimensão da feira, mas não conseguem contar tudo. A verdadeira grandeza da Expofeira também esteve nos encontros, nas histórias e na oportunidade dada aos artistas da terra.

Uma abertura marcada pela cultura amapaense

A abertura, no dia 8 de agosto, começou com o Cortejão da Alegria, a Carroça da Alegria e a tradicional Cavalgada. Enquanto o público chegava ao parque, artistas, grupos culturais e músicos amapaenses ocupavam os diferentes palcos.

A programação da primeira noite contou com nomes como Verônica dos Tambores, Michelle Maycoth, João Amorim, Mônica Lins, Banda Nativus, Neyzinho e Bena Niss, além de DJs, grupos de capoeira e outros representantes da cultura local.

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Nivito Guedes e uma canção especial para Luís Antônio

Durante sua apresentação, Nivito Guedes cantou uma das músicas favoritas do pequeno Luís Antônio, uma criança autista e filho do artista plástico Jeriel Luz.

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Para muitas pessoas presentes, poderia ser apenas mais uma música do repertório. Para Luís Antônio e sua família, porém, aquela canção Tô em Macapá possuíu um significado especial. Ouvi-la na voz de Nivito, ao vivo, no meio de uma grande festa, transformou a apresentação em uma lembrança carregada de afeto.

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A música tem a capacidade de alcançar lugares onde, muitas vezes, as palavras não conseguem chegar. No caso de Luís Antônio, aquela canção faz parte de seu universo, de suas preferências e de sua maneira particular de se conectar com o mundo. São acontecimentos assim que mostram que a cultura não está apenas nos grandes palcos: ela também está na memória afetiva que levamos para casa.

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No Miniteatro Caboco, um dos momentos mais especiais foi a apresentação do cantor e compositor amapaense Nivito Guedes. Com sua musicalidade, sua identidade e seu jeito de cantar o Amapá, o artista mostrou mais uma vez por que é uma das riquezas culturais da nossa terra.

A força dos cantores e músicos

A Expofeira abriu espaço para diferentes gerações e estilos da música amapaense. Cantores, bandas, compositores, instrumentistas e DJs mostraram a diversidade musical do estado, passando pelo samba, pagode, rock, hip-hop, música popular, gospel, melody, brega e ritmos amazônicos.

Marabaixo: ancestralidade que pulsa

O marabaixo teve presença marcante no Palco AfroAmapá. O som das caixas, os cantos, as saias rodadas e os passos carregados de história fizeram o público sentir a força de uma das manifestações culturais mais importantes do Amapá.

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Participaram grupos como Marabaixo do Laguinho, Marabaixo do Pavão, Marabaixo Torrão do Matapí, Marabaixo da Gungá, Grupo Aitakará, Associação Cultural Berço do Marabaixo, Associação Folclórica Zeca e Bibi Costa, Marabaixo Filho de Terra e outros representantes das comunidades tradicionais.

O cinema amapaense encontrou sua tela

No audiovisual, o Festival de Cinema Amapaense transformou o Miniteatro Caboco em um espaço de encontro entre realizadores, obras e público. Quem passou pelo local pôde assistir a filmes, documentários, animações e videoartes produzidos a partir do olhar de quem vive e conhece a Amazônia.

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Entre as produções apresentadas esteve a videoarte “O Cotidiano na Beira do Rio Amazonas”, da fotógrafa, documentarista e produtora audiovisual Luzia Mota. Com duração de cinco minutos, a obra acompanha o amanhecer, a movimentação da orla, a chegada e a partida dos barcos, o embarque de passageiros e o trabalho de homens e mulheres que transportam cestos de açaí, sacas, caixas e outros produtos amazônicos.

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Na videoarte, o Rio Amazonas não aparece somente como uma bela paisagem. Ele representa caminho, trabalho, alimento, sustento, encontro e memória. As pessoas não carregam apenas mercadorias: carregam histórias, responsabilidades, sonhos e a esperança de garantir uma vida melhor para suas famílias.A presença da obra na Expofeira reforçou a importância de registrar o cotidiano amazônico a partir do olhar de quem vive na região. O audiovisual é uma ferramenta de memória, identidade, reflexão e valorização das comunidades.

Outro destaques foi o documentário “Arquipélago do Bailique: Fragmento das Ilhas que Dançam”, dirigido por Agatha Garmes, Isabel Pontual, Mayra Ataide, Sarah Castro e Tetê Barddal.

Artes visuais mostram a identidade do Amapá

Na Galeria R. Peixe, as artes visuais ocuparam um espaço especial. Com mudanças de expositores ao longo da programação, o público encontrou pinturas, fotografias, grafites, desenhos, esculturas e peças artesanais produzidas por artistas de diferentes municípios.

O fotógrafo Eude Rocha apresentou a exposição “Amazônia: O Coração das Águas”, com imagens que revelaram a natureza, os rios, a fauna, a flora e diferentes aspectos da vida amazônica. Seu trabalho convidou os visitantes a observarem a região com mais atenção, respeito e sensibilidade.

O mestre Ivan Amanajás levou sua experiência com a pintura e o paisagismo amazônico. Sua participação representou a força dos artistas que ajudaram a construir a história das artes plásticas no Amapá e continuam inspirando novas gerações.

A artista Viva Lacerda apresentou “Entre Rios e Sonhos: o Surrealismo Amazônico”, reunindo imagens de mulheres ribeirinhas, águas, floresta, sonhos e sentimentos. Suas obras criaram um encontro entre realidade e imaginação, mostrando uma Amazônia sensível, feminina e cheia de simbolismos.

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A artista Viva Lacerda e seu Esposo
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Viva Lacerda recebe em sua exposição Jeriel Luz
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César Cabral participou com a “Exposição de Artes Plásticas – Amazônia e sua Identidade Amapaense”. Suas pinturas destacaram paisagens, costumes, personagens e elementos que fazem parte da vida no Amapá, fortalecendo a relação entre povo, natureza e território. Também participaram nomes como J. Sales, homenageado desta edição entre outros.

Elen e Cia encanta crianças e famílias

No espaço dedicado ao circo, Elen e Cia apresentou um lindo espetáculo, cheio de alegria, cores, brincadeiras e interação com o público.

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Foi uma apresentação daquelas que prendem o olhar das crianças e fazem os adultos sorrirem junto. Em meio a tantas atrações, Elen e Cia mostrou a importância da arte circense e da programação voltada para toda a família.

O circo também é memória afetiva. Ele reúne gerações, desperta a imaginação e transforma momentos simples em experiências especiais. A apresentação deixou sua marca entre os acontecimentos mais bonitos da Expofeira 2026.

Grandes shows nacionais movimentaram o Amapá

Os shows nacionais atraíram multidões para a Arena Rio Amazonas. Durante a programação, passaram pelo palco Léo Santana, Gusttavo Lima, Padre Fábio de Melo, Diante do Trono, Jota Quest, Ana Castela, Wesley Safadão, Daniel e Luísa Sonza.

O Festival das Aparelhagens também levou ao parque a energia dos ritmos populares amazônicos, com grandes estruturas sonoras, equipes, DJs e um público que atravessou a noite dançando.

Uma Expofeira feita de pessoas e histórias

A Expofeira 2026 foi uma grande feira de desenvolvimento, negócios e oportunidades, mas também foi um encontro de histórias humanas.

Muito além dos números e das grandes estruturas, o que ficará da Expofeira 2026 será a memória dos encontros. Porque uma feira termina quando os portões se fecham, mas a cultura continua vivendo dentro de cada pessoa que cantou, assistiu, dançou, fotografou, pintou e se emocionou.

Por L Mota

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