Há quem pense que o destino aceita atalhos.
Que basta apagar um traço, mudar uma assinatura,
vestir a mentira com roupas de verdade
e seguir adiante como se nada tivesse acontecido.
Mas toda escolha deixa pegadas.
Algumas ficam sobre a terra,
outras se escondem onde ninguém vê:
no silêncio que visita a madrugada,
no espelho que devolve um olhar cansado,
na paz que demora a chegar.
A consciência não grita.
Ela sussurra.
É um vento leve que atravessa a alma,
uma lembrança que insiste em voltar
quando o mundo inteiro parece em silêncio.
O tempo conhece segredos.
Ele não bate à porta nem faz alarde.
Apenas espera.
E, quando chega, levanta o pó das aparências
até que a verdade respire outra vez.
Há vitórias que pesam.
Há conquistas que não cabem no peito,
porque foram construídas sobre um chão frágil,
onde cada passo carrega o medo de desmoronar.
Em contrapartida, a verdade segue devagar.
Às vezes tropeça, às vezes demora,
mas nunca precisa olhar para trás
com receio de encontrar o próprio passado.
No fim, o que permanece
não é o brilho dos aplausos,
nem o tamanho do poder,
nem os títulos escritos em papel.
Permanece apenas aquilo
que nenhuma mão pode falsificar:
a serenidade de deitar a cabeça no travesseiro
e encontrar, do outro lado da noite,
uma consciência em paz.
por Luzia Mota
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