Poema:
Eu tive um grande amor — desses que chegam como o vento,
sem pedir licença, sem prometer nada, mas levando tudo.
Um amor que nasceu no silêncio das horas proibidas,
que floresceu nas frestas do impossível,
e me ensinou que o coração não sabe o que é hora errada.

Quando eu fiquei livre, ele já tinha partido.
Quando ele voltou, era eu quem já estava presa a outro destino.
O tempo, cruel e sábio, brincou de esconder nossos caminhos,
como se quisesse provar que até o amor mais bonito
pode perder o compasso da vida.
Hoje, guardo o som da voz dele em algum canto da memória,
um eco que ainda sabe o meu nome.
Não dói — mas também não passa.
É só um vento antigo que visita às vezes,
trazendo o perfume do que quase foi.
Talvez não era pra ser,
ou talvez foi pra ensinar que nem todo amor precisa ficar.
Alguns vêm pra acender, outros pra libertar.
E eu sigo — coração empoeirado,
mas grata por ter sentido, ao menos uma vez,
o que é amar de verdade,
mesmo que tarde demais.
Por Luzia Mota
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